No inicio do texto o autor nos esclarece, os problema para se estudar o fascismo, o primeiro é que não deve-se tratá-lo como um movimento morto, preso na história, ao estudá-lo devemos levar em conta as suas possibilidades e aparições em distintos períodos históricos.
Temos ao final da década de 1980 uma grande retomada de interesse, devido a abertura dos arquivos de diversos países, a reunificação Alemã e o ressurgimento do fascismo como movimento de massa em diversos países europeus. Esses novos textos com novas teorias e abordagens explicativas. Essa nova historiografia aborda o tema mais conceitualmente.
As diversas formas de abordagens, as imediatas ao pós-guerra que defende uma abordagem única exclusivista do fenômeno, centrando toda atenção na Alemanha, essa vinha de encontro aos interesses dos aliados ao diminuir os vilões não se fazendo necessário então mudar toda cadeia de poder da Europa.
Depois começamos a ter uma inclinação para um debate teórico-historiográfico, tratando da natureza da fascismo.
Hoje os estudiosos do fascismo avançaram até o ponto de o pensarem, com a garantia da universalidade possível do fascismo como, fenômeno histórico e a necessidade teórica de garantir a autonomia de uma teoria fascista. Essas caracterizam o fascismo enquanto regimes autoritários, antiliberais, antidemocráticos e antisocialistas com suas própias especificidades nacionais e histórias
Em 1991 temos o ressurgimento do fascismo durante “o inverno neonazista” o que veio de contra-mão as teorias dos principais ideólogos que viam o fascismo como algo passado e estático com essas novas ondas de fascismos se fez necessário lançar mão de novo arsenal teórico e de novos métodos que possam explicar essas marés distintas.
A marca do historicismo nos fascismos, foi uma característica comum aos regimes que procuravam encontrar no seu solo, na sua singularidade a sua justificativa de sua vocação de poder.
O autor definirá a partir deste ponto o fascismo como uma unidade de traços diversos que dão coerência a um fenômeno. E decide construir este modelo fascista analisando todos os modelos de fascimo e não somente os que chegaram efetivamente ao poder.
Os elementos constitutivos
O fascismo acusa as forma liberais de organização e representação de originarem a crise assim temos a idéia de falência do sistema liberal e o caráter desagregador do liberalismo.
O fascismo seria a resposta ideal ao “falido” antigo sistema, com um estado forte, dominador, que impediria o conflito social no plano interno e fortaleceria no plano externo.
O fascismo ofereceria uma variada gama de organismos sociais, onde o estado deveria ser visto de forma harmoniosa, despido de contradições nos eu próprio interior.
A fonte de todo direito passa a residir na vontade do líder e num vago conceito de bem-estar da comunidade popular, do qual o próprio líder é a encarnação.
O estado liberal desta forma, foi totalmente desmantelado, com sua burocracia e instituições sendo substituídas por organizações do partido e por novos organismos.
A concepção de estado como potência expansiva explica a subordinação e o sucumbir da sociedade civil aos objetivos identificados como nacionais pelo estado. Assim, é ele que organiza, normaliza e dirige a sociedade, com total desprezo por qualquer esfera exclusiva do privado. Neste campo, a principal tarefa do fascismo é fazer cessar as causas da desagregação social e, assim transcender do estranhamento dos indivíduos e, dotá-los de uma identidade autêntica.
O fascismo propõe a recuperação da integridade do homem através de instituições rituais e cerimônias que restabeleçam os corpos sociais que integravam as teias institucionais da sociedade.
-A destruição do eu e a negação do outro
O anti-semitismo foi partilhado por todas as formas de fascismo, mas apenas na Alemanha temos ela transformada em política nacional.
Temos na alteridade social e individual o principal vilão do fascismo; as bases das diferenças devem desaparecer e favor das instituições homogeneizadora. A idéia de raça ou nação, torna-se o único valor moral em torno do qual ergue-se um poderoso código de ação. Assim, munido de um sistema ideológico e mental adequado, o fascismo identifica em si mesmo valores absolutos e qualquer diferença tornar-se-á objeto de eliminação violenta.
O Holocausto, bem como outros genocídios, deve ser filiado a uma concepção de mundo que nega qualquer possibilidade de contratipo ao seu tipo padrão, e não à historia específica de um povo. Não são os judeus, ciganos ou gays que trazem em si a possibilidade do Holocausto; esta reside naqueles que, em virtude do estranhamento, não se habilitaram para o amor.
Em direção a uma teoria do marxismo
O fascismo não é uma revolução que deveria alterar as condições materiais do individuo promover a distribuição da riqueza social; tratava-se de salvar o coletivo, a comunidade, da aniquilação ante o outro, o estranho/estrangeiro, assumindo assim um caráter reativo e defensivo, não como muitos propõem, diante do socialismo em expansão, mas diretamente, em face do perigo de fragmentação ante a hegemonia liberal.
BIBLIOGRAFIA
Silva, Francisco C. T. da. “Os fascismos” In.: REIS FILHO, Daniel Aarão. Século XX. Vol.II: o Tempo das Crises. Rio de janeiro, Civilização Brasileira, 2000.
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