sábado, 7 de junho de 2008

Las 13 rosas


Aqui vai uma indicação de filme, que não tem relação total com o tema do nosso curso mas e um boa obra sobre o regime Fraquista.

Resenha:

É um drama que tem lugar na primeira fase do regime franquista, em que são acusadas treze jovens mulheres de terem participado de um atentado contra Franco, na Espanha. A maioria pertencia às Juventudes Socialistas Unificadas. foram fusiladas em 5 de agosto de 1939.
A obra é uma adaptação do livro de Carlos Fonseca Treze Rosas Vermelhas (Trece rosas rojas).

domingo, 11 de maio de 2008

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade e Holocausto, Cap 4

A verdade que é difícil de aceitar, e o fato dos criminosos serem pessoas educadas de sua época.

Não foi o holocausto que achamos difícil de entender em toda a sua monstruosidade, mas sim a nossa Civilização Ocidental. O grave problema no Holocausto e que os aspectos de nossa civilização outrora familiares e que o holocausto, tornou de novo misteriosos ainda fazem bem parte de nossa vida, não foram eliminados.

No geral nossas instituições parecem firmes. Contra os inimigos estamos todos protegidos, e nossos amigos certamente não farão nada de mau. Confinados de tempos em tempos ouvimos falar de atrocidades que algum povo não muito civilizado e por isso mesmo espiritualmente afastado comete contra vizinhos bárbaros. Se isso tudo prova alguma coisa, certamente prova como é ruim ser diferente de nós e como é bom estar são e salvo atrás do escudo de nossa civilização superior.

Dentro de certos limites estabelecidos por questões de poder político e militar o Estado moderno pode fazer o que bem entende aqueles sob controle. Não há limite ético-moral que o Estado não possa transcendes para fazer o que quiser, porque não há poder ético-moral mais alto que o Estado.

O extermínio em massa foi a forma extrema de opressão, ódio e injustiça comunitários são “como” o Holocausto.

Primeiro, processos ideativos que por sua própia lógica interna podem levar a projetos de genocídio e os recursos técnicos que permitem a sua efetivação, não apenas se revelaram plenamente compatíveis com a civilização moderna, como foram condicionadas, criados e fornecidos por ela.

Segunda, mostrarem-se ineficazes todas essas redes intricadas de controle e equilíbrio, barreiras e obstáculos que o processo civilizador erigiu e que, como esperamos e confiamos, nos defenderiam da violência e coibiram todas as forças superambiciosas e inescrupulosas.

Razões para a gente se preocupar, porque sabemos agora que vivemos num tipo de sociedade que tornou possível o holocausto e que não teve nada que pudesse evitá-lo. Só por essas razões já seria necessário estudar as lições do Holocausto.

Obviamente, o próprio estudo, mesmo o mais diligente, não é garantia suficiente contra a volta dos assassinatos em massa e de espectadores indiferentes. No entanto, sem esse estudo sequer saberíamos a que ponto tal volta é provável ou improvável.

A modernidade não cumpriu o prometido. Ela falhou. Mas não é responsável pelo Holocausto, uma vez que o genocídio acompanha a história da humanidade desde o inicio.

A raiva e a fúria são deploravelmente primitivas e ineficazes como instrumentos de extermínio em massa. Elas normalmente se exaurem antes que se conclua a tarefa. Não se podem erguer grandes projetos sobre essa base.

O assassínio em massa contemporâneo caracteriza-se, por um lado, pela ausência quase absoluta de espontaneidade e, por outro, pelo predomínio de um projeto cuidadosamente calculado, racional. É marcado pela quase completa eliminação da contingência e do acaso, assim como pela independência face as emoções grupais e as motivações. Sobressai-se pelo papel marginal ou de mera tapeação, dissimulado ou decorativo, da mobilização ideológica. Mas, antes e acima de tudo, destaca-se pelo propósito.

O genocídio realmente moderno é diferente. É genocídio com um propósito. Livrar-se do adversário não é um fim em si. É um meio para atingir determinado fim, uma necessidade que decorre do objetivo último, um passo que se deve ser dar caso se queira chegar um dia a meta final. O fim em si mesmo é a visão grandiosa de uma sociedade melhor e radicalmente diferente. O genocídio moderno é um elemento de engenharia social, que visa a produzir uma ordem social conforme um projeto da sociedade perfeita.

As vitimas de Hitler e de Stalin na foram mortas para a conquista e colonização do território que ocupavam. Muitas vezes foram mortas de uma maneira mecânica, enfadonha, sem o estímulo de emoções humanas. Foram mortas por não se adequarem, por uma ou outra razão, ao esquema de uma sociedade perfeita. Sua morte não foi um trabalho de destruição, mas de criação. Foram eliminadas para que uma sociedade humana objetivamente melhor – mais eficiente, mais moral, mais bela – pudesse ser criada.

Pelo fato de o Holocausto ser moderno, não segue que a modernidade é um Holocausto. O Holocausto é um subproduto do impulso moderno em direção a um mundo totalmente planejado e controlado, uma vez que esse impulso deixe de ser controlado e corra a solta. A maior parte do tempo, a modernidade é impedida de chegar a esse ponto. Suas ambições chocam-se com o pluralismo do mundo humano; elas não se realizam por falta de um poder absoluto suficientemente absoluto e de um agente monopolista suficientemente monopolista para conseguir desprezar, deixar de lado ou esmagar toda a força autônoma e portanto compensatória e suavizante.

O Holocausto moderno é o único num duplo sentido. É único entre outros casos históricos de genocídio porque é moderno. E é único face a rotina da sociedade moderna porque traz a luz certos fatores ordinários da modernidade que normalmente sã mantidos a parte.

O mais crucial dos fatores constituintes do Holocausto são os padrões tipicamente modernos, tecnológico-burocráticos, de ação e a mentalidade que eles geram, institucionalizam, mantêm e reproduzem.

Identificou liberdade e segurança com a sua própia ordem social: a moderna sociedade ocidental é definida como sociedade civilizada, que por sua vez é entendida como um Estado do qual a maior parte da feiúra e morbidez naturais, assim como da imanente propensão humana a crueldade e a violência, foi eliminada ou pelo menos abafada. A imagem popular de sociedade civilizada é, mais que qualquer outra coisa, a da ausência de violência, a de uma sociedade gentil, polida, branda. Mas no fim esse caráter geral não-violento da civilização moderna é uma ilusão. Mais exatamente, é parte integrante da sua auto-apologia e auto-apoteose, ou seja, do seu mito legitimador.

O que de fato aconteceu no curso do processo civilizador foi a reutilização da violência e a redistribuição do acesso da violência. Como tantas outras coisas que fomos treinados a abominar e detestar, a violência foi retirada da vista, não da existência. Tornou-se invisível, quer dizer, do confortável ponto de vista da experiência pessoal estritamente circunscrita e privada. Em vez disso, foi encerrada em territórios segregados e isolados, no geral inacessíveis aos membros comuns da sociedade, ou expulsa para “áreas de sombra” crepusculares, fora dos limites para uma maioria ou então exportada para lugares distantes em geral sem maior interesse para a vida e os negócios dos seres humano civilizados. O que acaba concentrando a violência.

O Holocausto absorveu um enorme volume de meios de coerção. Usando-os a serviço de um único propósito, também estimulou sua posterior especialização e aperfeiçoamento técnico. Mais, no entanto, do que a mera quantidade de instrumentos de destruição e mesmo que sua qualidade técnica, o que importava era a maneira pela qual eram utilizados. Sua formidável eficiência baseou-se sobretudos na submissão dos eu uso a consideração meramente burocráticas, técnicas. A violência tornou-se uma técnica. Como todas as técnicas, e livre de emoções e puramente racional.

Já há muito anos os historiadores do Holocausto se dividiram em “intencionalistas” e “ funcionalistas”. Os primeiros insistem que matar os judeus era desde o início firma decisão de Hitler, a espera apenas das condições oportunas para emergir. Os segundos atribuem a Hitler apenas a idéia geral de “encontrar uma solução” para o “problema judeu”, clara apenas na visão de uma “Alemanha limpa”, mas vaga e lamacenta quanto aos passos práticos a serem tomados para tornar essa visão mais próxima.

A burocracia contribuiu para a continuidade do Holocausto não apenas por sua inerente capacidade e suas técnicas, mas também por sua imanente enfermidade e afecções. A tendência de todas as burocracias a perderem de vista o objetivo original e se concentrarem em vez disso nos meios – meios que se transformam em fins – foi amplamente ressaltada, analisada e descrita. A burocracia nazista não escapou ao seu impacto. Uma vez em movimento, o mecanismo do assassinato ganhou ímpeto próprio: quanto mais se superava em extirpar os judeus dos territórios que controlava, mais ativamente buscava novas terras onde pudesse exercitar suas habilidades recém-adquiridas.

A burocracia é intrinsecamente capaz de ação genocida. Para enveredar por uma ação dessas, precisa encontrar outra invenção da modernidade: um amplo projeto de ordem social melhor, mais razoável e racional e acima de tudo, a capacidade para traçar esses projetos e determinação de torná-los eficazes. Segue-se o genocídio quando duas invenções comuns e abundantes dos tempos modernos se encontram. Ocorre apenas que esse encontro até aqui tem sido raro, incomum.

Diante de uma equipe inescrupulosa que sobrecarregava a poderosa máquina do Estado moderno com seu monopólio de violência e coerção física, as mais decantadas conquistas da civilização moderna falharam como salvaguardas contra a barbárie. A civilização mostrou-se incapaz de garantir a utilização moral dos terríveis poderes que trouxe a luz.

segunda-feira, 31 de março de 2008

2.PAXTON, Robert O. A Anatomia do Fascismo. Cap.1

“O fascismo foi a grande inovação política do século XX, e também a origem de boa parte de seus sofrimentos. As demais grandes correntes da cultura política do Ocidente moderno – o conservadorismo, o liberalismo e o socialismo – atingiram forma madura entre fins do século XVIII e meados do século XIX. Na década de 1890, contudo, o fascismo não havia ainda sido imaginado.”(pg.:13)

A surpresa que encontramos no fascismo, foi a inesperada combinação de uma ditadura antiesquerdista cercada de entusiasmo popular, uma surpresa consolidada no curto espaço de tempo de um ano.

O fascismo como conhecemos, nasceu em Milão, em um domingo, 23 de março de 1919, um pouco mais de cem pessoas encontravam-se na sala de reunião da Aliança Industrial e Comercial de Milão, para declarar guerra ao socialismo em razão deste ter-se oposto ao nacionalismo.O programa fascista, era uma estranha mistura de patriotismo de veteranos e de experimento social radical, criando um tipo de nacional-socialismo.

Mussolini não se restringia aos ataques à propriedade, choviam atos de violência contra intelectuais, de rejeição a soluções de compromisso e de desprezo pela sociedade estabelecida, características comuns aos três grupos que constituíam a massa de seus primeiros seguidores que era formada por: Veteranos de guerra desmobilizados, Sindicalistas pró-guerra e Intelectuais futuristas.

Três anos depois o partido de Mussolini já ocupava o poder, onze anos mais tarde Hitler chegava ao poder na Alemanha. Em pouco tempo depois o mundo fervilhava, de aspirantes a ditadores e marchas de esquadrões que acreditavam conseguir trilhar o mesmo caminho de Hitler e Mussolini ao poder. Seis anos depois, Hitler jogava a Europa numa guerra que acabaria por tragar grande parte do mundo, antes de chegar ao fim desta guerra a humanidade sofreria não apenas as barbaridades costumeiras das guerras, desta vez ela alcança uma escala sem precedentes, com a tentativa de extinção de todo um povo.

A questão era mais profunda que a ascensão fortuita de meliantes, e mais precisa que a decadência da antiga ordem moral. Ao longo dos anos, muitas outras interpretações e definições viriam a ser propostas, mas, até hoje, mais de oitenta anos após nenhuma delas alcançou aceitação universal, como sendo uma explicação totalmente satisfatória para o fenômeno.

A imagem de ditador todo-poderoso personaliza o fascismo, criando a falsa impressão de que podemos compreendê-lo em sua totalidade examinando o líder, isoladamente. Essa imagem, cujo poder perdura até hoje, representa o derradeiro triunfo dos propagandistas do fascismo. Ela oferece um álibi às nações que aprovaram ou toleraram os líderes fascistas, desviando a atenção das pessoas, dos grupos e das instituições que lhes prestaram auxílio.

As imagens das multidões cantando hinos alimenta a suposição de que alguns povos europeus eram, por natureza, predispostos ao fascismo, e responderam a ele com entusiasmo devido a seu caráter nacional.O corolário dessa imagem é uma crença condescendente de que o fascismo foi gerado pelas mazelas da história de determinadas nações, crença essa que se converte num álibi para os países espectadores.

Uma das características marcantes do fascismo era o seu ânimo anticapitalista e antiburguês. No entanto quando os partidos chegaram ao poder, eles nada fizeram contra o capitalismo mas sim puseram em pratica com extrema violência suas ameaças contra o socialismo.

O que o fascismo criticava no capitalismo não era sua exploração, mas seu materialismo, sua indiferença para com a nação e sua incapacidade de incitar as almas. Em um nível mais profundo, eles rejeitavam a idéia de que as forças econômicas são o motor básico da história. Uma vez no poder, os regimes fascistas confiscaram propriedade apenas de seus opositores políticos, dos estrangeiros e dos judeus. Nenhum deles alterou a hierarquia social. No máximo, eles substituíram as forças de mercado pela administração econômica estatal.

Observa-se algumas mudanças profundas o suficiente para serem chamadas de revolucionárias. Em seu desenvolvimento máximo, redesenhou as fronteiras entre o privado e o público, reduzindo drasticamente aquilo que antes era intocavelmente privado. Transformou a prática da cidadania, do gozo dos direitos e deveres constitucionais à participação em cerimônias de massa de afirmação e conformidade. Reformulou as relações entre o indivíduo e a coletividade, de forma a que um indivíduo não tivesse qualquer direito externo ao interesse comunitário. Ampliou os poderes do executivo na busca pelo controle total.

O fascismo vivia uma contradição na relação com a modernização. Os primeiros movimentos fascistas exploraram os protestos das vitimas da industrialização rápida e da globalização. Mas ao chegar ao poder, os regimes fascistas optaram decididamente pelo caminho da concentração e da produtividade industrial, por vias expressas e pelos armamentos. O que esses regimes buscavam era uma modernidade alternativa: uma sociedade tecnicamente avançada, na qual as tensões e as cisões da modernidade houvessem sido sufocadas pelos poderes fascistas de integração e de controle.

Um grande problema das imagens convencionais do fascismo é que enfocam os momentos mais dramáticos do seu itinerário e omitem a textura sólida da experiência cotidiana, e também a cumplicidade das pessoas comuns no estabelecimento e no funcionamento dos regimes fascistas. Eles jamais teriam crescido sem a ajuda das pessoas comuns, mesmo das pessoas convencionalmente boas.

O fascismo era uma invenção nova, criada a partir do zero para a era da política de massa. Ele tentava apelar sobretudo às emoções, pelo uso de rituais, de cerimônias cuidadosamente encenadas e de retórica intensamente carregada para convencer ela.

O fascismo não se baseia de forma explícita num sistema filosófico complexo, e sim no sentimento popular sobre as raças superiores, a injustiça de suas condições atuais e seu direito a predominar sobre os novos inferiores. O fascismo não repousava na verdade de sua doutrina, mas na união mística do líder com o destino histórico de seu povo, idéia essa relacionada às idéias românticas de florescimento histórico nacional e de gênio individual artístico ou espiritual, embora, em outros aspectos, negasse a exaltação romântica da criatividade pessoal desimpedida.

Os intelectuais dos primeiros tempos exerceram influências importantes e de diversos tipos. Em primeiro lugar, ajudaram a abrir espaço para os movimentos fascistas, enfraquecendo o apego das elites aos valores do Iluminismo, até então amplamente aceitos e aplicados de forma concreta no governo constitucional e na sociedade liberal. No fim, os intelectuais ajudaram a pôr em marcha uma transformação emocional de dimensões sísmicas, na qual a esquerda deixava de ser o único recurso para os ofendidos e para aqueles inebriados por sonhos de mudança.

Cada movimento fascista, dá expressão plena a seu próprio particularismo cultural. Diferentemente dos outros “ismos”, não é um produto de exportação: cada movimento guarda ciumentamente sua receita de renascimento nacional, e os líderes fascistas parecem sentir pouco ou nenhum parentesco com seus primos estrangeiros.

Os fascismos que conhecemos chegaram ao poder com o auxílio de ex-liberais amedrontados, tecnocratas oportunistas e ex-conservadores, e governaram conjuntamente com eles, num alinhamento mais ou menos desconfortável . Acompanhar essas coalizões verticalmente, ao longo do tempo, como movimentos que se transformaram em regimes; e horizontalmente, no espaço, à medida que elas se adaptavam às peculiaridades dos ambientes nacionais e às oportunidades de momento, exige algo mais elaborado que a tradicional dicotomia movimento/regimes.

sábado, 22 de março de 2008

Silva, Francisco C. T. da. “Os fascismos”

No inicio do texto o autor nos esclarece, os problema para se estudar o fascismo, o primeiro é que não deve-se tratá-lo como um movimento morto, preso na história, ao estudá-lo devemos levar em conta as suas possibilidades e aparições em distintos períodos históricos.

Introdução

Fascismo conjunto de movimentos e regimes de extrema direita que dominou um grande número de países europeus desde o início dos anos 20 até 1945.
Temos ao final da década de 1980 uma grande retomada de interesse, devido a abertura dos arquivos de diversos países, a reunificação Alemã e o ressurgimento do fascismo como movimento de massa em diversos países europeus. Esses novos textos com novas teorias e abordagens explicativas. Essa nova historiografia aborda o tema mais conceitualmente.

História e Política

Grande problema para os estudos historiográficos do nazismo estava na fragmentação da análise em diversas narrativas descritivas e históricas, onde o fascismo aparece como uma etapa da história Alemã
As diversas formas de abordagens, as imediatas ao pós-guerra que defende uma abordagem única exclusivista do fenômeno, centrando toda atenção na Alemanha, essa vinha de encontro aos interesses dos aliados ao diminuir os vilões não se fazendo necessário então mudar toda cadeia de poder da Europa.
Depois começamos a ter uma inclinação para um debate teórico-historiográfico, tratando da natureza da fascismo.
Hoje os estudiosos do fascismo avançaram até o ponto de o pensarem, com a garantia da universalidade possível do fascismo como, fenômeno histórico e a necessidade teórica de garantir a autonomia de uma teoria fascista. Essas caracterizam o fascismo enquanto regimes autoritários, antiliberais, antidemocráticos e antisocialistas com suas própias especificidades nacionais e histórias
Em 1991 temos o ressurgimento do fascismo durante “o inverno neonazista” o que veio de contra-mão as teorias dos principais ideólogos que viam o fascismo como algo passado e estático com essas novas ondas de fascismos se fez necessário lançar mão de novo arsenal teórico e de novos métodos que possam explicar essas marés distintas.

Fascismos

Neste tópico temos a tentativa de recuperar o fascismo como grande unidade de análise, agrupamento, de configurações políticas de traços diversos, marcado entretanto, por forte coerência interna e externa. Essa coerência externa, foi dada pelo próprio fenômeno, sua pratica e sua fala, assim rapidamente na Europa do período, teceu-se, uma eficaz teia de identidades e colaborações, na coerência interna temos o já conhecido antiliberalismo, antidemocratismo e antisocialismo difundidos junto as praticas políticas repressivas marcando a fascisnização dos países.
A marca do historicismo nos fascismos, foi uma característica comum aos regimes que procuravam encontrar no seu solo, na sua singularidade a sua justificativa de sua vocação de poder.
O autor definirá a partir deste ponto o fascismo como uma unidade de traços diversos que dão coerência a um fenômeno. E decide construir este modelo fascista analisando todos os modelos de fascimo e não somente os que chegaram efetivamente ao poder.

Os elementos constitutivos

-Antiliberalismo e antiparlamentarismo fascista.

O fascismo acusa as forma liberais de organização e representação de originarem a crise assim temos a idéia de falência do sistema liberal e o caráter desagregador do liberalismo.
O fascismo seria a resposta ideal ao “falido” antigo sistema, com um estado forte, dominador, que impediria o conflito social no plano interno e fortaleceria no plano externo.

-O estado orgânico e liderança carismática

O fascismo ofereceria uma variada gama de organismos sociais, onde o estado deveria ser visto de forma harmoniosa, despido de contradições nos eu próprio interior.
A fonte de todo direito passa a residir na vontade do líder e num vago conceito de bem-estar da comunidade popular, do qual o próprio líder é a encarnação.
O estado liberal desta forma, foi totalmente desmantelado, com sua burocracia e instituições sendo substituídas por organizações do partido e por novos organismos.

-Comunidade do povo e a sociedade corporativa: o fascismo enquanto revolução

A concepção de estado como potência expansiva explica a subordinação e o sucumbir da sociedade civil aos objetivos identificados como nacionais pelo estado. Assim, é ele que organiza, normaliza e dirige a sociedade, com total desprezo por qualquer esfera exclusiva do privado. Neste campo, a principal tarefa do fascismo é fazer cessar as causas da desagregação social e, assim transcender do estranhamento dos indivíduos e, dotá-los de uma identidade autêntica.
O fascismo propõe a recuperação da integridade do homem através de instituições rituais e cerimônias que restabeleçam os corpos sociais que integravam as teias institucionais da sociedade.

-A destruição do eu e a negação do outro

O anti-semitismo foi partilhado por todas as formas de fascismo, mas apenas na Alemanha temos ela transformada em política nacional.
Temos na alteridade social e individual o principal vilão do fascismo; as bases das diferenças devem desaparecer e favor das instituições homogeneizadora. A idéia de raça ou nação, torna-se o único valor moral em torno do qual ergue-se um poderoso código de ação. Assim, munido de um sistema ideológico e mental adequado, o fascismo identifica em si mesmo valores absolutos e qualquer diferença tornar-se-á objeto de eliminação violenta.
O Holocausto, bem como outros genocídios, deve ser filiado a uma concepção de mundo que nega qualquer possibilidade de contratipo ao seu tipo padrão, e não à historia específica de um povo. Não são os judeus, ciganos ou gays que trazem em si a possibilidade do Holocausto; esta reside naqueles que, em virtude do estranhamento, não se habilitaram para o amor.

Em direção a uma teoria do marxismo

Considera-se o antiliberalismo, antimarxismo, organicismo social, liderança carismática e negação da diferença, marcam o fascismo enquanto regime, ele distingue-se da diversas correntes políticas de direita por seu caráter metapolítico, mobilizado para a incorporação da nação, dos seus corações é mente, numa concepção de mundo único, excludente e terrorista.
O fascismo não é uma revolução que deveria alterar as condições materiais do individuo promover a distribuição da riqueza social; tratava-se de salvar o coletivo, a comunidade, da aniquilação ante o outro, o estranho/estrangeiro, assumindo assim um caráter reativo e defensivo, não como muitos propõem, diante do socialismo em expansão, mas diretamente, em face do perigo de fragmentação ante a hegemonia liberal.

BIBLIOGRAFIA

Silva, Francisco C. T. da. “Os fascismos” In.: REIS FILHO, Daniel Aarão. Século XX. Vol.II: o Tempo das Crises. Rio de janeiro, Civilização Brasileira, 2000.

domingo, 16 de março de 2008

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